Sustainable Stone by Portugal – valorização da pedra natural para um futuro digital, sustentável e qualificado é a designação da Agenda Mobilizadora promovida pelo Cluster dos Recursos Minerais, com um investimento previsto de 53,8 milhões de euros.

Submetido a apoios do Plano de Recuperação e Resiliência, tem como principal objectivo “potenciar o relevante trabalho mobilizador e agregador que tem sido realizado no contexto do sector da pedra natural, para a criação de uma nova geração de produtos e processos produtivos, fortemente disruptivos e inovadores”.

Pretende-se que estes produtos e processos “fortaleçam a capacidade do sector para crescer com pendor internacional”, contribuindo, desta forma, para o seu crescimento e consolidação enquanto sector estratégico para o desenvolvimento sustentável da economia portuguesa.

O projecto tem a duração estimada de 36 meses, com início previsto para Janeiro do ano que vem e término em 31 de Dezembro de 2024.

Liderado pela Solancis, de Alcobaça, tem como entidade gestora o Cluster dos Recursos Minerais. Envolve no total 50 entidades, das quais 20 empresas da área da pedra natural, grande parte delas da região de Leiria; dez empresas de tecnologia e software; 13 entidades do sistema científico e tecnológico, universidades e politécnicos; e duas entidades públicas, entre elas o Município de Porto de Mós.

Um projecto “com muito enfoque” na região de Leiria, “que é onde estão as empresas mais inovadoras”, aponta ao JORNAL DE LEIRIA Marta Peres, directora-executiva da Associação Cluster Portugal Mineral Resources, adiantando que este é, “claramente, um dos maiores projectos” deste sector.

Os novos produtos e processos resultantes da Sustainable Stone by Portugal “pretendem assegurar um impacto económico e social muito relevante a nível nacional, através da criação de 281 postos de trabalho directos, entre os quais 112 colaboradores altamente qualicados”, lê-se no projecto, a que o JORNAL DE LEIRIA teve acesso.

Este impacto é esperado igualmente em resultado da disseminação de conhecimento operacional e científico, através de um plano de divulgação e formação que pretende abranger um elevado número de agentes com actividade económica em todo o território nacional”.

“Mais concretamente, a presente agenda pretende desenvolver e implementar um novo ecossistema de especialização, com projecção internacional, que permita a valorização do conhecimento tecnológico, permitindo concretizar os processos industriais necessários para uma transição digital e sustentável, usando, de igual forma, novos produtos, tecnologias e técnicas com um cariz marcadamente sustentável”.

Em termos gerais, o projecto abarca diversas áreas relacionadas com a automatização da produção das pedreiras e fábricas, a maior eficiência em termos de custos e tempo de construção e produção, a adopção de novos processos e materiais, “sempre numa óptica de tecnologia e de sustentabilidade”, a digitalização de produtos e processos, a segurança no local de trabalho e a diminuição da pegada ecológica na totalidade do ecossistema subjacente ao sector dos recursos minerais”.

“Um dos principais factores inovadores e diferenciadores da presente proposta” é a criação de um Coopetion Technology-enabled Service ecosystem, mais precisamente um ecossistema com tecnologias e processos sustentáveis no sector da pedra natural, com impacto extranacional, potenciadoras da criação de novos produtos e processos, através da intervenção activa e proactiva dos vários actores envolvidos.

A presente agenda “pretende imprimir um grau de inovação nunca antes visto no sector, através do desenvolvimento de novos modelos produtivos, produtos e serviços, mediante a utilização de tecnologias altamente disruptivas, da adopção de novos materiais e processos nunca antes testados e da eficiência energética e sustentabilidade ambiental (matérias-primas sustentáveis, aproveitamento de excedentes de produção e economia circular).

O que se espera com este projecto é contribuir para uma “alteração drástica dos processos produtivos e das novas ferramentas nas unidades industriais e digitais na oferta de produtos”.

“Destacamos as ações de I&D+I a promover por parte das instituições do ensino superior e dos laboratórios colaborativos, essenciais na geração de técnicas imersivas de idealização/simulação/experimentação de novos processos produtivos e ferramentas digitais”, aponta a entidade gestora.

São ainda destacados “os projectos a assumir por parte da Solancis, entidade empresarial líder da presente Agenda, ou ainda da Fravizel, enquanto players cruciais no desenvolvimento de processos e produtos disruptivos para o sector, sem esquecer o efeito multiplicador das PMEs, correspondendo a verdadeiros agentes mobilizadores, que muito irão contribuir para o aumento do VAB e o crescimento dos postos de trabalho no sector, bem como em outras áreas complementares”.

In: Jornal de Leiria