Práticas de Inovação

A inovação não se aplica somente às grandes empresas e às indústrias de alta tecnologia. Seguidamente identificam-se algumas práticas de sucesso que poderão ser aplicadas ao sector dos mármores nacionais.

1 - Benchmarking

O Benchmarking é um instrumento de gestão que tem em vista a comparação de produtos, serviços e práticas empresariais da concorrência. É um processo sistemático de pesquisa e atualização constante que requer grande intensidade, tempo e disciplina. Permite realizar comparações de processos e identificar as melhores práticas para alcançar um nível de superioridade ou vantagem competitiva. Permite a comparação de desempenho entre dois ou mais sistemas.

 

Esta prática não significa copiar a concorrência, mas aprender com ela através da observação e comparação das melhores práticas. Tem o objetivo de melhorar as funções e os processos de uma determinada empresa possibilitando criar e ter ideias novas em cima do que já é realizado.

 

Pode ser aplicado a qualquer processo e é relevante para qualquer organização, tendo em conta que se trata de um instrumento que vai contribuir para melhor o desempenho da empresa ou organização.

 

Os principais benefícios do Benchmarking são:

  • Sintonizar a empresa com as melhores práticas do mercado;
  • Melhorar processos, produtos e serviços
  • Aperfeiçoar a cultura de melhoria contínua da empresa;
  • Melhorar a comunicação empresarial;
  • Reduzir custos
  • Diminuir erros

O Benchmarking pode, genericamente, dividir-se nos seguintes tipos:

  • Benchmarking competitivo: relaciona-se com as atividades das empresas concorrentes. Importante, mas difícil de ser praticado, devido à dificuldade de acessos a dados internos das organizações.
  • Benchmarking interno: relaciona-se com os processos internos da própria organização, sendo comum em empresas que procuram implantar as melhores praticas de uma unidade de negócio para outras.
  • Benchmarking genérico ou multi-funcional: relaciona-se com a comparação de processos entre organizações independentemente do sector de atividade (empresas não concorrentes) abordando temáticas como o tempo de entrega de um produto, a sua embalagem ou estratégias de marketing.
  • Benchmarking colaborativo: relaciona-se com a comparação de processos entre duas organizações com a colaboração do “benchmark partner”, que poderá ter vantagens diversas em permitir que sejam dissecados os seus processos (notoriedade, prestígio, volume de negócios, etc.)

De acordo com Robert C. Camp – in Benchmarking – O caminho da Qualidade Total, o processo de benchmarking consiste em cinco fases básicas:

  • Planeamento (identificação de qual o processo e quais as empresas de referência)
  • Análise de dados (análise das diferenças de desempenho entre organizações e identificação das melhores práticas)
  • Integração (preparação para a implementação das ações),
  • Ação (implementação das ações dentro da organização)
  • Maturidade (envolve a monitorização dos processos e melhoria contínua da oprganização)
2 - Análise de mercado

A análise de mercado é uma das componentes do Plano de Negócios e do Plano de Marketing das organizações. Permite compreender o ambiente onde o produto/serviço se encontra e pressupõe o conhecimento de um conjunto de elementos chave do negócio, designadamente:

 

  • O que os meus clientes querem? Quem Compra? O que compra? Porque Compra? Os clientes não compram só produtos, mas soluções para algo que precisam e desejam!
  • O que os meus concorrentes oferecem? Qual será o seu diferencial?
  • O que posso contar dos fornecedores?

O conhecimento destes elementos é particularmente importante no momento em que estão a ser estabelecidos os objectivos estratégicos, bem como os planos estratégicos e operacionais para os atingir.

 

Uma análise de mercado deve ser efetuada não apenas numa perspetiva estática, mas também dinâmica, procurando identificar oportunidades que a empresa possa aproveitar e ameaças que deva evitar ou reverter a seu favor.

 

Há dois tipos principais de ferramentas de análises de mercado

 

  • Gabinete (realizado de forma interna, sem que necessite de haver contato com o publico, com base na recolha de informação disponível em várias fontes de informação como estatísticas oficiais, internet ou jornais)
  • Pesquisa de mercado (envolve o contacto mais directo com o cliente)

A análise de mercado é importante não só quando se inicia o negócio, mas também ao longo do seu tempo de maturação, de forma a que a empresa possa ir tomando as melhores opções para o negócio. O mercado está em constante mutação sendo necessário ter conhecimento do que está acontecendo para tomar as ações mais apropriadas.

3 - Design thinking

O Design thinking é uma abordagem que procura a solução de problemas e descoberta de novas oportunidades, de forma coletiva e colaborativa. Concentra-se nos destinatários e nas suas necessidades, incentiva o brainstorming e a prototipagem e recompensa o pensamento “fora da caixa” de forma a desenvolver e implementar ideias diferentes e inovadoras no mundo empresarial.

 

A principal proposta deste modelo de desenvolvimento criativo é encontrar respostas que sejam revolucionárias ou inovadoras para os problemas identificados, focando nas reais necessidades do mercado.

 

Ao contrário de outros métodos, o design thinking não se baseia em dados estatísticos e matemáticos. Nesta abordagem o foco passa a ser a experiência do consumidor ou do público-alvo, na procura por respostas aos problemas encontrados. As pessoas são colocadas no centro de desenvolvimento do produto – não somente o consumidor final, mas todos os profissionais responsáveis por cada etapa do desenvolvimento do projeto (trabalhos em equipes multidisciplinares são comuns nesse conceito).

 

A grande diferença deste método é que ele parte da solução, do projeto, e não necessariamente de todos os parâmetros do problema, como é comum no método científico. A proposta é que as ideias sejam geradas em conjunto com as pessoas que serão impactadas por elas; que os protótipos sejam construídos e testados ainda durante o processo. Ninguém está à procura da solução correta, definitiva e insubstituível, mas do caminho que conduz à melhor maneira de fazer com que a experiência seja significativa e importante.

 

Visto ser uma abordagem que deve ser pensada de forma não-linear, não existe uma fórmula estática e absoluta dos processos do design thinking, no entanto, existem algumas etapas que costumam ser essenciais para a conceção e desenvolvimento do projeto, que podemos sintetizar do seguinte modo:

 

  • Descoberta/apresentação – apresentação das pessoas envolvidas no desafio, nomeadamente das suas necessidades e expetativas
  • Definir e entender o problema
  • Idealizar (fase de geração de ideias ou “tempestade de ideias”) – momento conhecido como “brainstorming” em que todos os participantes apresentam as suas ideias por meio de palavras ou desenhos, sem preocupação com seleção. O principal objetivo é encontrar oportunidades e possibilidade de criar novos caminhos para resolver os desafios impostos.
  • Prototipagem e experimentação – fase para dar vida às ideias, criação de protótipos e de apresentação a outras pessoas para análises e sugestões de melhoria da ideia. Materialização e validação de todo o conteúdo, através da realização de diversos testes. Caso os resultados sejam produtivos, rentáveis e consigam solucionar os problemas e desafios propostos inicialmente, o produto passa para a fase de desenvolvimento.
  • Evolução – uma vez criado o projeto é necessário planear os próximos passos para a sua concretização

 

As Principais Vantagens do Processo Design Thinking são:

  • Não dependendo de extensas Pesquisas Quantitativas
  • Processo Rápido e Barato para Gerar Inovação de Valor
  • Resulta da Metodologia e Trabalho em Equipe
  • Tem o Foco na Perceção do Cliente, suas Necessidades, Desejos e Comportamento
  • Leva em conta o Conhecimento Tácito das Pessoas
  • Experiências com Protótipos
4 - Proteção de Patentes

A Patente é um título de propriedade concedido pelo Estado a um autor ou inventor ou detentor de direito sobre uma criação original, através do qual o requerente adquire o direito exclusivo de produzir e comercializar uma invenção (processo ou produto), tendo como contrapartida a sua divulgação pública.

 

Com este direito, o inventor ou o detentor da patente tem o direito de impedir terceiros, sem o seu consentimento, de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar produto objeto de sua patente e/ ou processo ou produto obtido diretamente por processo por ele patenteado. Em contrapartida, o requerente obriga-se a revelar detalhadamente todo o conteúdo técnico da matéria protegida pela patente.

 

Podem obter-se patentes para quaisquer invenções em todos os domínios da tecnologia, quer se trate de produtos ou processos, bem como para os processos novos de obtenção de produtos, substâncias ou composições já conhecidos.

 

A proteção de uma invenção por patente ou modelo de utilidade não é obrigatória. Todavia, é altamente aconselhável, dadas as múltiplas vantagens que oferece:

 

  • Permite valorizar o esforço financeiro e o investimento em capital humano e intelectual utilizado na conceção de novos produtos ou processos.
  • Confere um direito exclusivo que permite impedir que terceiros, sem o consentimento do titular da patente ou do modelo de utilidade, produzam, fabriquem, vendam ou explorem economicamente a invenção protegida.

 

Para mais informações consultar site do Instituto Nacional de Propriedade Industrial http://www.marcasepatentes.pt/

5 - Prospecção Tecnológica

Num cenário de constantes transformações e de rápida evolução do conhecimento, os estudos prospetivos são ferramentas analíticas que ajudam a diminuir as incertezas e os riscos em face do futuro. Entender as forcas que orientam o futuro pode ajudar a organização a aproveitar melhor as oportunidades, enfrentar adversidades e responder seus desafios

 

A prospecção tecnológica pode ser definida como o meio sistemático de mapear desenvolvimentos científicos e tecnológicos FUTUROS capazes de influenciar significativamente uma industria, economia e sociedade. Os principais objetivos da prospeção tecnológica podem ser sumarizados como os seguintes:

 

  • Preparar a organização para as mudanças que o mercado e a sociedade exigem
  • Antecipar cenários estratégicos – delinear e testar cenários possíveis
  • Preparar os atores da industria
  • Apoiar o processo de decisão
  • Preparar os processos de inovação
  • Estimular o processo de melhoria contínua

De forma sistemática, este processo funcionará como uma ferramenta de apoio ao planeamento estratégico da empresa.

 

Não há um consenso absoluto sobre a melhor metodologia para a prospeção tecnológica. Existe uma diversidade de métodos e técnicas que podem ser usadas de modo simultâneo e combinado e de acordo com os objetivos. Em Coelho (2003) são identificados e categorizados os seguintes métodos e técnicas de prospeção tecnológica:

 

  • Monitorização & Sistemas e Inteligência – Inteligência Competitiva Tecnológica – Ex. análise de patentes;
  • Análise de Tendências – – regressão, curva S, equações de Lotka-Volterra;
  • Opinião de especialistas – Delphi, painel de especialistas, tecnologias críticas, survey, avaliação individual, comitês, seminários, conferências, workshops;
  • Construção de Cenários – exploratório, Godet e LA prospective, GBN (Global Business Network), SWOT;
  • Métodos computacionais e ferramentas analíticas – modelagem, AHP (Analytica Hierarchy Process)
  • Criatividade – Análise morfológica, análise de impacto, brainstorming, focus group, ficção científica etc.;

COELHO, G.M. Prospecção tecnológica: metodologias e experiências nacionais e internacionais. Projeto CTPetro Tendências Tecnológicas: Nota Técnica 14. Instituto Nacional de Tecnologia 2003.

http://www.tendencias.int.gov.br/arquivos/textos/NT14.zip

6 - Práticas Kaizen

Kaizen é uma palavra de origem japonesa que significa “melhoria” ou “mudança para melhor”, usada para transmitir a noção de melhoria contínua em todas as dimensões da vida das pessoas, seja no aspeto familiar, social, pessoal ou profissional.

 

No contexto empresarial, o kaizen refere-se a atividades que melhorem continuamente todas as funções e envolve todos os funcionários. É uma metodologia de gestão da inovação que valoriza a dimensão interna e o a criatividade de todos os colaboradores.

 

Aplicada ao universo dos negócios metodologia Kaizen de melhoria contínua prega que nenhum dia deve transcorrer na empresa sem que pelo menos alguma melhoria tenha sido realmente efetivada, seja na estrutura organizacional ou na vida dos funcionários.

 

O sistema Kaizen de melhoria contínua, com origem no Japão pós guerra, foi estruturado para estar constantemente procurando e eliminando qualquer tipo de desperdício nas empresas, dos processos produtivos e administrativos à manutenção de máquinas e equipamentos.

 

Nove principais mandamentos do sistema kaizen de melhoria contínua:

  1. Aprender na prática
  2. Todo o desperdício deve ser eliminado
  3. Todos os colaboradores devem ser envolvidos no processo de melhoria contínua
  4. O aumento da produtividade deve ser baseado em ações que não exijam investimento financeiro alto
  5. Deve ser aplicado em qualquer local da empresa
  6. As melhorias continuas devem ser divulgadas como forma de ter uma comunicação transparente
  7. As ações devem ser focadas no local de maior necessidade
  8. Orienta-se para os processos
  9. Dá prioridade às pessoas
7 - Lean Management

O Lean Management ou Gestão Enxuta é uma abordagem inovadora de gestão das organizações que visa criar valor através da redução de qualquer desperdício de tempo, esforço ou dinheiro, identificando cada etapa do processo de negócios e, em seguida, revendo ou cortando etapas que não criam valor. A ideia central é maximizar o valor do cliente e minimizar o desperdício. Significa criar mais valor para o cliente com menos recursos.

 

Requer uma total quebra dos paradigmas existentes e implica uma completa mudança de mentalidades, na forma como se gerem as atividades. Implica repensar as formas de liderança, gestão e envolvimento dos trabalhadores. O envolvimento dos Recursos Humanos é um fator fundamental de sucesso na implementação do Lean nas empresas.

 

Esta filosofia, também conhecida por TPS (Toyota Production System), nasceu no Japão logo após a 2ª grande guerra e é hoje aplicado em diferentes contextos, em áreas como a indústria e em outros serviços gerais, sejam do domínio empresarial ou público.

 

O pensamento “lean” consiste num conjunto de princípios que visam simplificar o modo como uma organização produz e entrega valor aos seus clientes enquanto todos os desperdícios são eliminados.

 

A filosofia de gestão Lean tem associada um conjunto alargados de ferramentas que auxiliam a sua implementação e manutenção, tais como:

 

  • VSM (Value Stream Mapping)
  • Sistema Pull
  • Prática dos 5S
  • Sistema de Controlo de Operações Kanban
  • Práticas Kaizen/Melhoria Contínua
  • Gestão visual – Andon SW
  • SMED – Single Minute Exchange of Die
  • TPM (Total Productive Maintenance)
  • Poka – Yoke
  • Produção JIT (Just In Time)

 

A abordagem às empresas passa sempre pelo conhecimento das suas realidades e a identificação das suas fragilidades, para se poder formatar um plano dedicado a cada situação específica com a calendarização de todas as atividades.

 

As principais vantagens do lean Management são:

 

  • Eliminação das atividades geradoras de desperdícios
  • Aumento da produtividade da empresa
  • Redução dos tempos dos processos produtivos
  • Aumento da agilidade e flexibilidade das empresas
  • Aumento da qualidade dos produtos e da robustez dos processos;
  • Libertação de espaços por redução de stocks
  • Diminuição dos custos operacionais;
  • Aumento do envolvimento e motivação todos os colaboradores
  • Melhoria contínua

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Descarregue o Relatório de Inovação nas empresas de Mármore